Por Ian T. Brown
WASHINGTON, D.C. - A Gallup descobriu que um em cada três respondentes em 20 países da América Latina concorda que grandes empresas em seus países se comprometem com várias ações de responsabilidade social corporativa (RSC). Essas ações incluem investimentos no desenvolvimento de seus funcionários, incentivo ao progresso, doações significativas, e impacto positivo na qualidade de vida de seus clientes. Quase metade dos respondentes discorda que grandes empresas atuam nessa área.

O tema do Summit da Gallup, realizado em abril - "Securing Our Citizens' Future by Promoting Human Prosperity, Energy Security and Environmental Sustainability" - enfatiza o desenvolvimento sustentável. Contudo, os participantes devem discutir soluções possíveis para amenizar o efeito da desaceleração da economia global. A crise financeira afetou negativamente a confiança da opinião pública no setor privado. A U.N. Global Compact, a maior iniciativa privada sobre cidadania do mundo, promove a ideia de que corporações privadas podem restaurar a confiança da opinião pública por meio de práticas de negócios responsáveis.
Responsabilidade Social Corporativa (RSC) é uma prática relativamente nova em muitos países da América Latina. A Gallup não perguntou essas questões no Canadá ou Estados Unidos, onde a RSC é bem estabelecida e abertamente promovida pelas organizações como forma de sustentar suas vantagens competitivas. Para mercados emergentes da América Latina, investimento privado em pessoas é significante para a competitividade e a prosperidade econômica futuras.
Práticas de Negócios Responsáveis para Funcionários Latinoamericanos
Na América Latina, a Gallup pesquisou sobre grandes corporações, aqui definidas como nacionais ou multinacionais de qualquer tipo, que são de conhecimento da maioria da população, e que possuem centenas ou até milhares de funcionários. Com relação às práticas corporativas para os funcionários, a Gallup perguntou aos entrevistados se eles acreditavam que as empresas investem em desenvolvimento de funcionários e oferecem oportunidades de crescimento. Dos 20 países pesquisados, República Dominicana, Costa Rica, Venezuela e Brasil apresentaram os maiores níveis de concordância em ambas as perguntas. El Salvador, Peru, Equador e Trinidad e Tobago tiveram os níveis mais baixos de concordância nas duas questões. Em quase todos os países, menos da metade dos respondentes concordou que grandes empresas de fato corroboram com tais práticas.

Como exemplo da dinâmica dos países individualmente, um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), publicado em fevereiro de 2008, descobriu que o presidente venezuelano Hugo Chávez decretou políticas e programas sociais que afetam o setor privado e que associações organizacionais e a sociedade civil apóiam iniciativas de RSC. Em contrate, em El Salvador e Peru, o governo não considera práticas voltadas para os funcionários importantes para o impulsionamento do desenvolvimento econômico. Desde a pesquisa da Gallup, El Salvador elegeu um novo presidente que pactua mais parcerias com o setor privado.
Práticas de Negócios Responsáveis para a Comunidade Latinoamericana
A Gallup também perguntou aos entrevistados se grandes corporações fazem contribuições e doações para a comunidade em seus países, e se elas promovem um impacto positivo na qualidade de vida de seus clientes. Mais uma vez, Costa Rica, República Dominicana e Venezuela obtiveram os maiores níveis de concordância, e El Salvador, Equador, e Trinidad e Tobago apresentaram os menores níveis. A atitude dos mexicanos frente a grandes corporações é mediana em todas as questões. De acordo com o The Economist, poucos países são tão vulneráveis à desaceleração financeira norte-americana quanto o México.

Uma ameaça à RSC é o fato de a recessão global significar menos recursos disponíveis para ações filantrópicas direcionadas à comunidade. Em muitos países latinoamericanos, particularmente naqueles em que a adversidade econômica ameaça a tranqüilidade social, contribuições públicas e privadas destinadas ao desenvolvimento da comunidade são cruciais para o crescimento da economia. O setor privado na América Latina pode fortalecer sua conexão com os funcionários, clientes e comunidade para criar um relacionamento ganha-ganha entre produtor e consumidor.
Metodologia de Pesquisa
Resultados baseiam-se em entrevistas face-a-face com, no mínimo, 500 adultos, com idade superior a 15 anos, na Argentina, Bolívia, Brazil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Trinidad e Tobago, Uruguai, e Venezuela conduzidas em 2008. Para os resultados baseados na amostra total de adultos, o nível de confiança é de 95% e a margem de erro varia entre ±3.4 to ±4.8 pontos percentuais.
Johanna Godoy e Jesus Rios contribuíram para este artigo.